O Bem-Estar

Eneagrama: o atalho para o auto-conhecimento- por Anna Frota

 

A linguagem ocidental do Eneagrama foi desenvolvida por muitos estudiosos, dentre os quais destacamos o psiquiatra chileno Cláudio Naranjo, que por meio de um trabalho minucioso, repassou o conhecimento a muitos alunos, sendo um deles o professor Alaor Passos, a americana Helen Palmer, que tem inspirado propagadores e novos “buscadores” como  Marise Atmo Salonne que há alguns anos repassa estes conceitos através de vivencias.

 

Esta ciência sagrada que inspirou também a construção das personagens que habitam os cenários fictícios dos planeta Treuss (os nove mestres de Treuss – ou nove essências) e Extintus (os nove membros da Cúpula Heghuanica – ou as nove “egos”),  quadrinhos que serão editados em fevereiro (para saber mais acesse:www.universoantenaverde.com.br).

Estas novas abordagens do Eneagrama geram nos meios mais “acadêmicos” verdadeiros arrepios.  Uma corrente diz que a verdadeira essência do Eneagrama se perdeu e que ao chegar ao ocidente transformou-se em objeto massivo.

Para mim, que sou um nove, o Eneagrama é um salto quântico...Um mergulho rápido e profundo no mar de nossas essências. É o contato direto, sem intermediários, com nossa alma. Uma ferramenta para o auto- conhecimento e para a aceitação do outro como ele é.

E o respeito o respeito pessoal que  repassado à comunidade pode tornar-se o atalho que precisamos para consolidar um novo tempo, onde as pessoas convivam mais harmonicamente, por se entenderem e enxergarem que esta diversidade de seres é que possibilita a vida.  Antes de dar uma pincelada, um vislumbre desta ciência sagrada que é o Eneagrama, batemos um papo rápido com Marise Atmo Salonne, terapeuta holística e repassadora desta sagrada Ciência...

 

Qual a origem desse conhecimento e da palavra Eneagrama?

 

A origem dessa Ciência é tão antiga quanto à criação da humanidade.  Acredito que no memento que Deus nos criou destinou a cada ser um código diferenciado, uma  parte de Sua Totalidade.

Originais do Grego, as palavras Ennea e Grammos significam respectivamente, nove e pontos ou ângulos. Nove Pontos. Nove Visões. Nove Vertentes.

O segredo revelado na estrela de nove pontas foi resgatado a mais de cinco mil anos na Grécia Antiga.

Acredita-se que Pitágoras quando esteve na Pérsia e tornou-se discípulo de Zoroastro, reconheceu a grandeza dessa Ciência e a partir dela fundamentou todos os seus teoremas, “brincando com os números de 1 a 9,” e a  associou a criação do Universo.

Apesar de milenar, a sabedoria contida no Eneagrama só foi trazida ao Ocidente no século 20 por G.I. Gurdjieff, pensador russo, que a recebeu de forma tradicional dos místicos guardiões da Irmandade Sarmouni.

 

 

Sintetizando, o que é o Eneagrama?

 

O Eneagrama é a ciência holística representada na Estrela de nove pontas, guardiã da fórmula capaz de religar o homem ao seu Ponto Original.

Essa ferramenta nos permite conhecer as nove Essências e identificar as múltiplas personalidades. Amplia a nossa visão e nos faz perceber, com clareza, que dentro do nosso planeta coexistem nove “mundos”, compostos por seres, formas, costumes e aptidões diferentes.

O despertador nos mostra que só a nossa idéia em relação ao tempo o divide em passado e futuro. A vida é o agora que contém a realidade da nossa existência na Terra. Viver o presente promove a dissolução do julgamento interno e generalizado, nos conduzindo na busca do entendimento do Todo. Esse entendimento advém da própria sensação e da percepção do outro.

 

Qual é a missão do Eneagrama?

 

Essa Ciência logicamente amorosa tem como missão reconectar o Homem a sua memória divinal, para que todos os seus talentos sejam vivenciados. Nos leva ao trabalho pessoal, tornando-se para o entendimento do Todo.

Quando o Mestre interior desperta, o homem torna-se o Ser consciente dos seus atos. Então, ele percebe que o seu maior defeito e o seu pior pecado são apenas as distorções da sua maior habilidade e sublime virtude. Compreende que tudo o que acontece em sua vida, de bom ou de ruim, é de sua  inteira responsabilidade. Assume que Deus e o diabo não são responsáveis por nada. Eles apenas colaboram para que a vontade humana determine seu destino, fazendo valer a sagrada Lei do Livre Arbítrio.

O ENEAGRAMA é a Quinta Essência que promove a Alquimia lógica, objetiva, amorosa e prática, que nos conduz ao reencontro pessoal. O encontro nos permite o equilíbrio da estrutura da nossa vida, formada pelos cantos material, emocional, mental e espiritual, nos ensinando a conquistar o tão sonhado Céu, trazendo-o e  vivendo-o aqui na Terra.

 

Quais os benefícios que o reencontro com a nossa verdade pessoal nos traz?

O primeiro é fazer cair o véu da ignorância de nós mesmo, nos colocando de volta no caminho para casa.

O auto-reconhecimento dissolve as amarras libertando nossa energia vital e fazendo florescer os talentos naturais. O contato com a realidade nos leva ao amadurecimento transformando nossos incômodos relacionamentos afetivos, profissionais e sociais em  aprendizado evolutivo que nos  aproxima mais e mais da Fonte da Essencial

 

 O Eneagrama é visto de alguma forma como uma religião?

 

A princípio algumas pessoas pensam que sim. Porém, o Eneagrama não está vinculado a nenhuma seita apesar da íntima relação com a raiz da palavra religião, que significa religamento. O Eneagrama é a Ciência amorosamente lógica que nos religa ao nosso Ponto de Origem, morada da verdade e da liberdade que nos permite escolher e trilhar o caminho que nos conduza ao único e eterno Deus, conhecido por muitos nomes e cultuado das mais diferentes formas.

 

4) Qual a importância do Eneagrama para as empresas?

 

Já há algum tempo, em vários lugares do mundo, o Eneagrama é utilizado com sucesso para seleção e capacitação pessoal em empresas e organizações bastante importantes, tais como a NASA e o FBI.

As faculdades Estácio de Sá do Rio de Janeiro e Getúlio Vargas São Paulo, adicionaram o Eneagrama aos seus programas, por entenderem a importância da propagação  desse conhecimento.

Utilizando essa ferramenta, as empresas selecionam seus profissionais de forma adequada,  “o homem certo no lugar certo,” facilitando o aprendizado das tarefas de acordo com as habilidades naturais de cada um,  melhorando o desempenho profissional. Assim, os desastres diminuem e a produtividade aumenta, levando o projeto ao sucesso esperado, que beneficia a todos os envolvidos.

A identificação correta da personalidade potencializa a utilização dos dons primordiais, maximizando a força produtiva.

O Eneagrama é a ferramenta destinada ao terceiro milênio indispensável a todos, pois sua aplicação traz benefícios imediatos e permanentes aos planos individuais e coletivos.

No plano pessoal essa preciosidade ensina que só por intermédio da observação constante pode-se alcançar o entendimento da nossa grandeza divina.

Certamente as relações interpessoais nas empresas serão bem mais cordiais e objetivas

tanto no âmbito do quadro funcional como no contato com clientes e colaboradores

externos.

Você associa o Eneagrama a alguma profecia?

Sim. Acredito que é nele que está fundamentada a antiga promessa feita a respeito de uma “linguagem universal capaz de trazer harmonia à todos os povos da Terra, por intermédio dos homens de boa vontade.”

Eneagrama é um divisor de águas. Depois desse reencontro podemos teimar em manter nossos velhos vícios comportamentais. Porém, intimamente nunca mais seremos os mesmos.

Da mesma maneira que temos um código genético, temos também um código espiritual.

Acredito ser o Eneagrama é o DNA da nossa Alma.

 

Admirável Mundo Novo

por Erika Kobayashi 

Vejo pessoas muito bonitas andando com pressa pelas grandes avenidas. Frescas, recém-saídas das propagandas de Colgate, Coca-cola, cocaína. Bonitas e felizes. Entram e saem pela comunicação sem fio, carregam seus celulares e pulam para dentro do outdoor daquela empresa de comida embutida cujo slogan promete a felicidade. As campanhas não diferem umas das outras: fotos preto e branco, pele sem defeitos e um spot de luz direcionado nos dentes perfeitos. Sorriso comprado. A vida parece límpida, mas é apenas química.

“O mal é uma irrealidade se se tomam dois gramas [de soma].” É uma das frases que os personagens do livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ouvem milhares de vezes, no condicionamento a que são submetidos durante o sono. A sociedade estável e feliz descrita por Huxley aprende a controlar seus humores, tristezas e desapontamentos -- enfim, suas emoções – por meio de rações de soma. A camada mais ricas tem direito a potes diários. Os menos favorecidos, a um comprimido de 50 miligramas.

Em 1987, cinqüenta e cinco anos após Huxley ter escrito o livro, sua profecia ganhou um princípio ativo – a fluoxetina, uma denominação bioquímica para inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) -- e, enfim, um nome comercial. Prozac, a “pílula da felicidade”. Com o passar dos anos e a evolução de pesquisas promovidas por laboratórios (mudam os princípios ativos e permanece a idéia vendida de eficácia), chegamos a uma genérica definição: os antidepressivos. São consumidos por cerca de 10% da população norte-americana, e por uma parcela cada vez maior da população mundial. Mas e se estas drogas servirem, na verdade, para roubar tanto as dores quanto as delícias do mundo?

A depressão, em um de seus aspectos, é a incapacidade de lidar com a dor. A química age diretamente neste ponto, proporcionando uma sensação de bem-estar e, assim, desviando a atenção do sofrimento. Os ISRSs são de extrema importância para tirar pessoas deprimidas da cama na hora de reagir, enfrentar e aceitar suas deficiências perfeitamente humanas. Proporcionam o prazer fácil, quase um soma. Um ecstasy, um deleite. Uma fina película protetora, tão fina quanto a duração de 48 horas do medicamento na bioquímica do ser humano. É inegável – e física – a sensação de bem-estar.

Só que os antidepressivos agem em nome do controle. O pensamento convencional sobre “doenças” mentais e emocionais estigmatiza a depressão. Certos cientistas julgam que ela impede as pessoas de se relacionar bem social e profissionalmente. Ignoram relações pessoais (isso inclui relacionar-se consigo mesmo) que estimulam transformações legítimas, duradouras e desvinculadas dos mercados.

As prateleiras não ensinam a lidar com frustrações, aceitar erros e imperfeições, perdas, sofrimento, ansiedade e até mesmo descontrole. Por isso, milhares de pessoas se entopem diariamente de miligramas para ir para o trabalho e sorrir diante de qualquer adversidade.

As pílulas da felicidade do mundo corporativo prometem devolver o prazer roubado pela depressão. Mas 70% dos pacientes que tomam este tipo de medicamento apresentam disfunções sexuais e baixa na libido. Sim, a queda da libido consta na lista de efeitos colaterais. É fácil abrir mão dela quando está em jogo salvar a própria vida. Mas o que se faz para resgatar o desejo pela própria, a mesma vida?

Erika Kobayashi é jornalista

 

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