Educação Democrática

Educação para Paz

por Anna Frota

Num mundo tão violento e competitivo parece utópico falar em Paz. 
Estamos em pleno século 21 e não há um dia sequer que não haja noticias de ataques e mortes pelo mundo. Há varias explicações para estes conflitos, mas talvez mais importante delas esteja bem debaixo de nossos olhos: há uma ausência de educação para a Paz no mundo.

As primeiras reflexões e práticas pedagógicas orientadas para a paz remontam ao pós-guerra, quando Maria Montessori proclamou a necessidade de educar as crianças para uma visão mundial e planetária, isto é, sair dos limites dos territórios nacionais para compreender a humanidade como um tema fundamental com roupagens diversas, marcadas por histórias e culturas locais. Após décadas de experiência, e ante os novos desafios apresentados pelo terceiro milênio, o foco na Educação para a Paz está hoje em proporcionar instrumentos ou, como costumo chamar, novas tecnologias de convivência. , explica Lia Diskin, co-fundadora do Instituto Palas Athena de filosofia em ação. Na Espanha já temos décadas de formação em educação para a paz nas faculdades de pedagogia, com cursos de graduação e pós-graduação. Aqui no Brasil ainda não estão disponíveis estes caminhos, mas já são freqüentes os cursos de extensão em valores humanos, jogos cooperativos e resolução pacífica de conflitos, aliada aos direitos humanos. Acredito que o movimento ganhou impulso significativo coma proclamação da Década para a Cultura da Paz pela UNESCO (2000-2010), conclui.

Mas a lição começa mesmo é em casa. Não podemos conceber a paz se educamos exaustivamente nossas crianças a serem melhores e assim terem uma boa colocação no podium da vida . O adulto também tem que ser educado, por que é modelo. A paz não é conquistada apenas com frase bonitas e argumentos meramente intelectuais: a paz tem que ser experimentada. E esse sentimento só é conquistado através de um processo que se inicia na paz consigo mesmo, passando pela sociedade e chegando a necessária paz com a natureza, sentencia o educador Pierre Weil, educador e fundador da UNIPAZ, união da Universidade Holística Internacional com a Fundação Cidade da Paz.

A paz consigo mesmo é conquistada através do equilíbrio entre saúde física, mental, emocional e espiritual, fruto do auto-conhecimento e do cultivo de virtudes como a compaixão e a aceitação do outro como ele é. Indivíduos “pacíficos” geram consequentemente uma sociedade mais harmônica e mais aberta a uma cultura de Paz. A paz com os outros é motivada através de uma reinvenção de nossa cultura, da política e da economia vigente.

No plano social e político é preciso substituir a competição pela cooperação, que só é real se os envolvidos possuírem um elo em comum. E esse, com certeza, reside no fato de que somos antes de mais nada habitantes de uma mesma casa e que precisamos administrá-la de modo que seus frutos sejam distribuídos de maneira mais equânime. Em busca deste equilíbrio, surgem novas propostas e ações que minimizem este impacto motivador de violência. Em regiões mais ricas, pessoas se unem ao movimento de “simplicidade voluntária”, a intenção é diminuir excessos de consumo visando um desenvolvimento mais sustentável. Em contrapartida, nos paises pobres, onde ainda impera a miséria e a escassez, o conceito de “conforto essencial”, dá dignidade de vida aos que não tem moradia, acesso à água e alimentação. Juntas, as duas vertentes se unirão lá na frente em direção a uma sociedade enfim em paz e que poderá então ser chamada de humana.

Uma década para a Cultura de Paz

A Década Internacional de uma Cultura de Paz e Não Violência para as Crianças do Mundo é um dos mais bem-sucedidos programas concebidos pela UNESCO nos últimos tempos. Mobiliza centenas de instituições governamentais e da sociedade civil, cujos projetos e ações estão presentes nos quatro cantos do planeta, promovendo benefícios a milhares de pessoas.

Proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de novembro de 1998, sua implantação no período de 2001 a 2010 teve o impulso da campanha internacional pelo Manifesto 2000, cujo apelo recebeu a adesão de 75 milhões de cidadãos que assinaram um compromisso em torno de seis princípios norteadores de ações em prol de uma convivência edificante, sustentabilidade ambiental e justiça social. São eles:

 

  • Respeitar a Vida – respeitar a vida e a dignidade de cada ser humano, sem discriminação nem preconceito.
  • Rejeitar a Violência – praticar a não-violência ativa, rejeitando a violência em todas as suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular contra os mais desprovidos e os mais vulneráveis, como crianças e adolescentes.
  • Ser Generoso – compartilhar meu tempo e meus recursos materiais no cultivo da generosidade e pôr um fim à exclusão, à injustiça e à opressão política e econômica.
  • Ouvir para Compreender – defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre o diálogo sem ceder ao fanatismo, à difamação e a rejeição.
  • Preservar o Planeta – promover o consumo responsável e um modo de desenvolvimento que respeitem todas as formas de vida e preservem o equilíbrio dos recursos naturais do planeta.
  • Redescobrir a Solidariedade – contribuir para o desenvolvimento de minha comunidade com plena participação das mulheres e o respeito aos princípios democráticos, de modo a criarmos juntos novas formas de solidariedade.

Para saber mais:

Instituto Palas Athena www.palasathena.org.br

UNIPAZ - www.unipaz.org