Eco-Economia

Consumo consciente,produção responsável e simplicidade voluntária

por Jayamala

Muito mais que uma mera mudança superficial no estilo de vida, uma percepção de simplicidade voluntária nos traz os seguintes aspectos:

 

  • Meta de co-envolver tanto o aspecto material quanto o espiritual com harmonia e equilíbrio,
  • Ênfase na conservação e frugalidade, usando apenas o necessário,
  • Uma vida satisfatória emerge com desenvolvimento equilibrado em cooperação com os outros,
  • A identidade não é revelada pelos bens e sim pela nossa participação amorosa e criativa na vida,
  • O indivíduo tanto é singular quanto parte inseparável do universo,
  • Ênfase num comportamento de servir à vida,
  • As nações adotam uma “ética espaçonave Terra” nas relações globais,
  • Cada pessoa assume a responsabilidade pelo bem estar do mundo,
  • Ênfase na vinculação e comunidade.
  • Cada um de nós é de fato responsável para agir e restabelecer o equilíbrio em nossa relação com a natureza e recuperação do ambiente, visando a completa realização das potencialidades do homem e seu bem-estar.
  • A natureza, em sua infinita sabedoria e simplicidade, ensina alguns conceitos como sustentabilidade, interdependência, flexibilidade, cooperação e auto-organização.

É preciso mudar urgentemente e radicalmente nossa escala de valores.

Trocar o “ter” pelo “ser”.

Desapegar então, será o verbo que conjugaremos no presente e no futuro.

Claro que não é uma tarefa fácil e muitas pessoas diriam até que é inconcebível ousar pensar o mundo de outra maneira, diferente daquela que todo dia mecanicamente nos é ditado. Tirando a preguiça de imaginar de lado é no mínimo um bom exercício para a sobrevivência.

Como ambientalista de carteirinha e um pouco sonhadora gosto muito do termo “simplicidade voluntária”. Parece coisa de hippie quem voltou do Woodstock a pé, mas vencendo os preconceitos é uma idéia tentadora. Explico melhor.

Simplicidade é depurar o que realmente nos contenta e eliminar aquilo que excede e pesa sobre nossos ombros. Simples, não! Quando optamos pela simplicidade ganhamos tempo. Imagine então sermos donos do nosso tempo. Tempo para fazer modelagem em barro, de nadar, de descobrir com as crianças o final de uma trilha de formigas ou simplesmente se permitir ficar em frente a um lago num final de tarde ensolarado. 
Não é tão ruim assim, né?

Agora, viver voluntariamente é viver de modo intencional, consciente e deliberado. Externamente mais simples mas internamente mais rico.

Imagine como será para as nossas instituições (que existem por que acreditamos nelas), quando despertarmos para a realidade de que é preciso muito pouco para ser feliz e que os melhores prazeres da vida custam quase nada.

Realmente uma revolução inimaginável que começa com a ousadia de cada um de nós de nos reinventarmos... De buscarmos o melhor em nós mesmos...De procurar dentro e não fora, a satisfação de existir...

Utopia?

Mas como diria meu sábio pai: para que serve a utopia se não para caminharmos...

 

Eco-economia

por Anna Frota

A WWF - Fundo Mundial para a Vida Selvagem publicou recentemente um estudo onde quantifica o “peso” da pegada da raça humana sobre a Terra.

Esse conceito de “pegada ecológica” é o indicador da pressão que exercemos nos ecossistemas. Individualmente, em média, precisamos de 2,2 hectares para satisfazer nossos padrões de consumo atuais. Só que dispomos apenas de 1,8 hectares. O estudo ainda mostra a desigualdade de “pegadas” pelo mundo: os americanos usam 9,6; Reino Unido, 5,6; Japão 4,4; Brasil 2,1; China 1,6 e Índia 0,8.

Devedores e credores, em média, estamos sacando em descoberto de um banco único que não tem como repor este empréstimo.

E neste saque indevido, já consumimos 25% do que a natureza pode repor.

Nesta matemática ambiental de problemas em progressão geométrica, estamos permanentemente em déficit. Mas por quê?

Se somarmos todos os relatórios, estudos acadêmicos, pesquisas cientificas, projeções entre outros, chegaremos ao âmago desta equação econômica aparentemente sem solução: somos dependentes dos sinais do mercado de capital e este vem nos enganando há muitos anos. Não é preciso entender muito de economia: quando compramos um litro de gasolina, pagamos os custos da sua produção, porém não os custos das mudanças climáticas, das chuvas acidas ou dos tratamentos de saúde daqueles que adoecem com a poluição.

Como observa Øystein Dahle, ex-Vice Presidente da Exxon para a Noruega e Mar do Norte, “o socialismo desmoronou porque não permitiu que os preços revelassem a verdade econômica. O capitalismo poderá desmoronar porque não permite que os preços revelem a verdade ecológica.”

Segundo o cientista Lester Brown, fundador do WWI-Worldwatch Institute, a reeinvenção e reestruturação da economia global exigirá um esforço conjunto entre ecólogos e economistas na identificação destes custos ainda ocultos, já que tudo que produzimos, direta ou indiretamente, provem da natureza. Ninguém vê, por exemplo, a enorme quantidade de água usada para a produção de alimentos.

Pela primeira vez em nossa história, sabemos o que é preciso fazer, sabemos como fazer e alguns governos já estão fazendo. Isso já é realidade nas fazendas eólicas da Dinamarca, nos telhados solares do Japão, nas usinas de reciclagem de papel da Alemanha e de reciclagem do aço dos Estados Unidos, nos sistemas de irrigação de Israel, nas montanhas reflorestadas da Coréia do Sul e na malha de ciclovias da Holanda.

Na eco-economia, novas energias substituirão os combustíveis fósseis e uma economia de reciclagem tomará o lugar da economia do descarte e as indústrias de reciclagem substituirão as de mineração, prevê Brown.

Nesta onda de reaproveitamento, também resgatamos o escambo, ou troca de marcadorias, a mais antiga forma de comércio que a humanidade conhece. Estima-se que a prática do escambo movimente cerca de US$ 10 bilhões por ano no mundo - desse total, quase US$ 8 bilhões se referem às trocas comerciais.

Com 25 mil clientes pelo mundo e uma movimentação de US$ 150 milhões, a Intagio/Tradaq é especializada em promover a troca de mercadorias e serviços em empresas de pequeno e médio porte. Troca-se de tudo: material de construção, passagens, espaço em outdoors, serviços de contabilidade e até de motoboy.

E se neste macro-cosmo da economia o “Escambo” vai bem obrigada, nas comunidades os chamados “clubes de trocas” trazem à luz um novo papel social em expansão: os "prossumidores". Ao mesmo tempo produtores e consumidores, os participantes dos clubes de troca solidária dispensam o uso de moedas e a substituem por vales ou cupons de valor local. Nos clubes de trocas, nada é muito “barato” ou “caro”, os produtos têm o valor da necessidade de quem participa deles.

Esta nova “cara” da economia já foi preocupação na década de 60, de grupos na Europa e nos Estados Unidos que criaram o movimento do “Comércio Justo”. Entre os objetivos do movimento estão a defesa de um modelo econômico alternativo que se baseia na transparência, no diálogo e no respeito entre produtor e consumidor. As lojas trabalham com produtores que não têm acesso ao mercado. Vendem seus produtos a um “preço justo”, que deve cobrir os gastos de produção e permitir a continuidade do empreendimento.

Hoje, o Movimento conta com uma rede mundial – a IFAT, congregando mais de 300 organizações, entre produtores, exportadores, importadores e divulgadores em 70 países.

Mais informações sobre comércio justo: www.wftday.orgwww.ifat.orgwww.bsd-net.com;www.mundareu.org.brwww.bmaf.org.brwww.vivario.org.brwww.visaomundial.org.brwww.fes.org.br;

Mais informações sobre Eco-economia: www.uma.org.br.

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