A ONU É A ALAVANCA PARA MOVER O MUNDO
por Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho
Os recentes avanços tecnológicos nos meios de comunicação, transportes, informática, as dimensões planetárias da causa social e ambiental e a evolução no conhecimento mútuo entre ciência e religião permitem avistar mais perto um horizonte há séculos imaginado por pessoas nos mais diversos países. Um cenário de convivência entre culturas diversas que mantêm sua diversidade como riqueza, porém adotam princípios de respeito aos direitos humanos, políticos e sociais e a busca de uma cultura de paz e equilíbrio ambiental que são universais. O grande instrumento para a construção deste edifício que a humanidade dispõe é a Organização das Nações Unidas.
Após a Primeira Grande Guerra Mundial de 1914/19, fez-se uma tentativa sem sucesso. Porém, após a Segunda Guerra Mundial (1943/45) surgiu com mais segurança do sofrimento causado por imperialismos e nacionalismos extremados uma estrutura muito mais sólida e que já dura 63 anos.
Com todas as limitações e contestações (principalmente dos países com pretensão hegemônica como os Estados Unidos e China, ou que não respeitam os direitos humanos como algumas ditaduras que resistem à democracia e liberdade), ela é o palco da convivência, da tolerância e da construção das pautas e programas da humanidade, tendo órgãos quase executivos referentes a várias políticas públicas - cultura (UNESCO), alimentação e agricultura (FAO), saúde (OMS), criança (UNICEF), habitação (HABITAT), meio ambiente (PNUMA) etc. São eles que têm construído as propostas mais avançadas nestas áreas, desenvolvendo indicadores que permitem medir e comparar os avanços nas várias nações e promovido grandes conferências mundiais setoriais que são marcos decisivos em cada uma destas políticas públicas.
Mais recentemente a ONU conseguiu estruturar dois instrumentos de governabilidade mundial que podemos classificar como de uma segunda geração nesta busca de um futuro governo mundial. Trata-se do Protocolo de Quioto e do IPCC, que conduzem o enfrentamento da mais grave crise social e ambiental que já desafiou a vida humana, que é o aquecimento global, e o Tribunal Penal Internacional, este efetivo instrumento de superação da hegemonia da cultura da violência para uma hegemonia de cultura de paz na Terra.
Atendendo o pedido da Revista Reação Natural, achei instrutivo republicar trechos de alguns artigos que fizemos, alguns deles há mais de dez anos. Não há, com isso, nenhuma pretensão de passar por profeta ou adivinho, apenas mostrar que este pensamento já está no ar há muito tempo. A diferença é que sua base material, cultural e espiritual está cada vez mais forte e evidente agora no século XXI. Assim, acredito que a republicação é útil aos leitores do novo século.
Uma advertência: o fato de acreditarmos ser esta uma tendência, uma possibilidade, não quer dizer que seja uma 'lei histórica' implacável como aquelas profetizadas pelo materialismo histórico. O homem é uma tensão entre o animal selvagem e o divino. Por isso é que ele é humano. A civilização, a tolerância, a convivência lutam permanente e eternamente com a barbárie, a lei do mais forte, a cultura da violência.
Como vamos viver é sempre uma escolha que fazemos a cada momento.
Uma Federação Democrática e Mundial.
Os recentes desenvolvimentos nas comunicações, nos transportes, na informática e em outras tecnologias de ponta colocam pela primeira vez ao nosso alcance a possibilidade de uma administração superior dos conflitos entre nações pobres e ricas, entre o nacional e o internacional, entre a administração centralizada e a descentralizada.
Por outro lado, nenhum dos grandes problemas da Terra e dos povos pode ser resolvido isoladamente por uma nação rica ou pobre. Por exemplo, as drogas e a inter-relação entre a sua produção e o seu consumo. As epidemias transpondo fronteiras. A fome e a pobreza persistindo, se expandindo e se transportando em direção aos centros dinâmicos da economia mundial pelos caminhos irrefreáveis da migração.
A regulação do comércio de forma a evitar nocivas guerras comerciais e práticas imperiais. As manifestações de fanatismo e nacionalismo extremados como expressão de revolta contra a exclusão social. As guerras localizadas e crônicas e a ameaça de guerras totais. A agressão ao meio ambiente. As espécies ameaçadas. A necessidade da repressão à exploração do trabalho e à busca de alternativas ao desemprego estrutural.
A falta de um planejamento familiar democrático e à existência de políticas de controle demográfico genocidas, ou expansionistas, ou mesmo de controle sobre as nações e grupos étnicos. O consumismo egocêntrico, insaciável e destrutivo, impulsionado pelo materialismo, pela propaganda e pelo modelo de vida dos mais ricos. A restrição ao acesso às novas tecnologias. O controle sobre o capital financeiro internacional, que pode liquidar moedas, governos ou nações em um piscar de olhos.
A utilização de novos recursos e o enfrentamento dos novos/velhos problemas só podem ter uma solução global. Quais os possíveis cenários do nosso horizonte?
O primeiro é uma potência hegemônica (EUA, Japão...) sozinha ou coligada conseguir consolidar o seu domínio e construir um império planetário, impondo econômica ou militarmente sua Pax Romana. Pode até mesmo aprofundar uma já existente tutela sobre a ONU e usá-la como biombo para sua dominação. É claro que existirão os rebeldes, e os conflitos seguirão mais ou menos intensos dentro do império.
O segundo é o da divisão da Terra em vários blocos de países coligados, que disputarão os mercados em uma terrível guerra econômica. Alianças e disputas entre os blocos poderão degenerar para a disputa militar de efeitos dramáticos. Países inconformados tentarão sobreviver fechando-se em suas fronteiras ou tentando blocos alternativos. A ONU será superada pelas articulações regionais, tornando-se inútil.
O terceiro cenário é a construção, por múltiplos caminhos, de uma Federação Democrática Mundial. É um aprofundamento do trabalho importante, porém incipiente, feito pela ONU e pelos mercados comuns regionais. Teremos um Parlamento mundial, uma corte de justiça para problemas globais, um aparato executivo, com forças de paz controladas pelo Parlamento mundial, e uma sociedade civil mundial, até mesmo com suas ONGs. Ou seja, uma ONU democratizada. Um Estado federativo de novo tipo.
Isso seria o fim dos Estados nacionais? Não. Eles seriam os pilares centrais do sistema federado de nações, porém com funções condicionadas a normas universalistas. É o único mecanismo civilizado e civilizador, capaz de evitar a destruição das culturas nacionais e das minorias pelas violentas forças selvagens de puro jogo de mercado, já desencadeado e potencializado pelas novas tecnologias de comunicação e transporte e pela capacidade destrutiva do sistema financeiro.
Dia 27 de junho [de 1996] aprovamos na Comissão de Relações Exteriores da Câmara resolução dirigida ao Presidente da República para que o Brasil proponha à ONU a realização, em 1999, de uma Conferência Internacional sobre a governabilidade mundial.
Idealismo? Sim, porque é por meio dele que se inventam e depois se concretizam algumas das significativas criações do homem. Para nossa felicidade, porém, forças materiais parecem também se mover nessa direção, o que ajuda bastante.
A globalização, a mundialização, ou como se queira chamar, é um fato. Um fenômeno irreversível, com efeitos danosos para os mais fracos já há muito denunciados, mas ao mesmo tempo com potencialidades positivas capazes de produzir alternativas que nos elevem a um novo patamar civilizatório. O nosso desafio é navegá-lo com propostas capazes de gerar consensos superiores, nacionais e internacionais, de forma a construir uma administração comum na nossa Terra.
CIDADANIA PLANETÁRIA
por Oscar Quiroga
Todos fomos treinados emocional e mentalmente a nos exilar no Universo, a supervalorizar a parte (a nossa em especial) em detrimento do Todo ao qual esta parte pertenceria. Para quem gosta de argumentos físicos, este fato se comprova através da genética, temos todos 99,9% de genes exatamente iguais, e apenas 0,1% nos é peculiar, porém, nós queremos ser reconhecidos por esta peculiaridade, e mais, pretendemos que esta peculiaridade seja valorizada e universalizada também, que a parte que nos toca sirva para definir o Universo inteiro e, assim, passamos a nossa existência tentando promover nada além de nós mesmos, medindo o Universo com a exígua regra de nosso umbigo. Quero avisar desde já que não é esta afirmação um julgamento moral, pois desconheço se isto é errado ou certo, apenas faço esta descrição como algo que acontece, é um fato.
O mundo que inventamos com nossas personalidades é este, um mundo isolado do resto do Universo, um mundo de indivíduos isolados entre si, ansiando ser reconhecidos e religados. Ao passo de que isto se processou desta forma por muito tempo, é notável que nos últimos anos, principalmente na última década, tenhamos sido todos forçados a ultrapassar a barreira deste isolamento, forçados a isto por questões de cuidado ao meio ambiente natural. Soou o alarme da natureza e nós fomos informados, e respondemos a este chamado, começamos a pensar em nosso lugar no planeta.
Uma grande crise, pois ainda nem tínhamos finalizado o processo de encontrar nosso lugar no âmbito familiar, no dos relacionamentos ou mesmo nosso lugar na cultura. Aceleradamente fomos obrigados a pensar nossa posição num conjunto muito complexo de circunstâncias, que é a vida do planeta Terra, sem a qual nada seriamos.
Homens e Mulheres que se dedicaram com afinco a estes pensamentos e, principalmente, a passar estes pensamentos para a ação, são verdadeiros heróis e heroínas, pessoas dignas de especial interesse, agora não por causa de suas fortes personalidades, nem destacadas pelas suas detalhadas peculiaridades, mas porque se esforçaram silenciosamente em deixar fluir suas personalidades dentro da função que exerceriam na hierarquia desta vida, que é o próprio planeta Terra, e isto sem sequer ter capacidade consciente suficiente para explicar o acontecimento a si mesmas.
A fusão da personalidade num Todo maior é não apenas um momento místico, extático, como temível também, pois atenta contra nossa programação, que é a de nunca perder de vista o que nos seja peculiar. Porém, este temor se mostra absolutamente infundado para quem se atreve a dar o passo de mesclar a parte que lhe toca com o Todo a que esta parte pertence, pois em vez deste fato místico empobrecer o pequeno, pelo contrário, só o enriquece. Nossa personalidade sempre temeu sentir-se anônima, e por isso sempre fez força para empreender atividade barulhenta, atraindo a atenção sobre si. No sentido contrário, o de nossa personalidade oferecer sua atenção à Natureza e ao Planeta, o olhar investido neste começa a ser devolvido, e o Planeta olha para dentro de nossa consciência, o que nos enriquece com magnitudes cósmicas, e nós percebemos imediatamente que, submetendo nossas peculiaridades ínfimas ao grande Todo, que é o planeta, isto não resulta em nos tornar engrenagens impessoais e perdidas, sem vida, ou tratadas de forma indiferente pelo Universo, mas pelo contrário, por nos tornar partícipes da Vida, somos todos enriquecidos.
Por esta e por outras razões mais, ainda que nos tornar cidadãos planetários seja motivo de crise, vale a pena enfrentá-la, pois é neste caminho que encontramos aquela riqueza verdadeira, uma vida mais abundante, tal qual foi profetizada.
O PRÓXIMO PASSO
por Oscar Quiroga
Vivemos, sabemos disso, mas ao mesmo tempo sabemos que temos uma impressão distante da Vida, como se esta acontecesse à nossa revelia, ou como se nós, humanos, estivéssemos exilados da natureza, desterrados do paraíso.
É propício, por isso, perguntar, em que momento de nossa história evolutiva perdemos o contato com a Vida que nos anima? Em que condições isto aconteceu? Ora, podemos elaborar complicadíssimas teorias a respeito, mas nada disso nos ajudará, e talvez muito pelo contrário, todas as teorias e elucubrações apenas nos sirvam para cimentar ainda mais nossa ignorância. O assunto agora, seres humanos, e é justamente por isso que me dirijo a vocês na qualidade de seres humanos, é superarmos a estreiteza mental com que consideramos a realidade, passando a focar nossa consciência em tudo que temos em comum, pois essa mania de exílio e de separatividade com que tratamos todos os assuntos da Vida já deu tudo que tinha para dar, já causou todos os sofrimentos e agonias imagináveis e, a partir de agora, teremos de nos apressar para ocupar o lugar merecido, o lugar destinado, o lugar de distribuidores de energia cósmica, fazendo com que nossas presenças se integrem à infinita rede de distribuição de Vida.
Seres humanos, é fantástica a oportunidade que nossa espécie tem em mãos. Esta é disponível, porém, não acontecerá por si só, e é justamente por isso que uma das coisas mais importantes e proveitosas que podemos fazer em benefício do mundo e até de nós mesmos, é parar com essa mania de buscar oráculos para ver o que vai nos acontecer, porque neste momento de nossa história evolutiva importa menos aquilo que nos acontecerá, e muito mais a maneira com que nós mesmos aconteçamos, e por acontecermos, fazer com que as coisas aconteçam também. Por isso, seres humanos, evitem buscar oráculos para saber o que vai lhes acontecer, dediquem esta mesma busca pelos oráculos para entender melhor qual seria a maneira mais sábia de vocês acontecerem. Enquanto isso, e enquanto nos esforçamos para acontecer, mantenham o foco da consciência absolutamente lúcido a respeito da oportunidade fantástica que nossa espécie tem em mãos, reconhecendo que o único que ainda falta para realmente aproveitar esta oportunidade é recuperar a noção do que é sagrado.
Seres humanos, enquanto tivermos noção e reverência pelo que for sagrado, tudo continuará indo muito bem, pois ainda que continuemos andando à cegas, sem saber muito bem o que acontece, pelo menos aconteceremos da melhor forma possível, participando de eventos cósmicos a despeito de não sabermos os detalhes deste processo. A reverência pelo sagrado garantirá que tudo que fizermos terá espírito, terá alma, que nossos negócios terão o sopro vital que os transformará de atividades meramente egoístas em exercícios produtores de benefícios para o todo de nossa espécie.
Seres humanos, nós já provamos que somos capazes de executar obras titânicas, mas também provamos que amesquinhamos tudo que fazemos ao separar estas obras do espírito que as anima, e que por ter operado esta separação, a grandeza original se perdeu de vista, aparecendo a miséria em seu lugar. Desafortunadamente, nos moldes da civilização atual, o nosso grande e principal obstáculo na procura de mais espírito são as próprias religiões, que se transformaram em corpos de doutrina morta, sem capacidade de ensinar às pessoas como entrar em contato com o Altíssimo nem tampouco como estabilizar este contato.
Seres humanos, apesar de que as religiões e doutrinas espirituais se dedicaram a demonizar a matéria e também o trabalho dos executivos e governos, continuamente dedicados a encontrar métodos de organização eficientes que produzam maior comércio e finanças saudáveis e prósperas, estes esforços, assim como os da ciência, também representam o advento da Era de Aquário, porém ainda são carentes de ideal e, por isso, mesmo que corretos, não produzem o resultado destinado. A crise que enfrentamos globalmente não é resultado de que no futuro não teremos instituições e governos, esta crise é real justamente porque representa para nós a perspectiva de espiritualizarmos o que até aqui parecia prescindir do espírito.
Falta pouco, mas o pouco que falta é o mais importante e, por sê-lo, não admite erros nem mais procrastinações, e se tiver de ser encontrado através da desgraça, assim será. Entendam seres humanos, não há nada de errado no comércio, não há nada de errado na prática de se buscar realizar obras grandiosas e de enriquecer a realidade, porém, há um erro de proporção, nada disto poderia ser feito sem o sopro divino, sem a alma do negócio, se você tira a alma do negócio, fica apenas uma carcaça mesquinha, que produz miséria no lugar daquilo que se buscava originalmente, prosperidade e felicidade.
Por isso, seres humanos, não desistam, mas pelo contrário, insistam, persistam no caminho da correção, que o verdadeiro problema não está nas limitações do mundo físico, na qualidade de nossos corpos ou nas adversidades de ordem financeira que eventualmente soframos. O verdadeiro problema radica no melhoramento do ser subjetivo que somos, pois é este o nosso destino, superar todas as contrariedades encontrando força e poder no centro do coração, em vez de fazer o que constante e teimosamente fazemos, que é esperar que nossa existência aqui na Terra seja folgada e sem limitações para só então nos dedicarmos ao fortalecimento do vínculo com o espírito.
Este é o nosso erro básico e até que não o saremos nada de novo nunca acontecerá conosco.
O melhoramento do ser interno e subjetivo é o verdadeiro destino, a superação de nossas fraquezas, de nossa triste e fraca vontade, da nossa falta de tenacidade na conquista dos propósitos que nós já conseguimos enxergar, mas que ainda tratamos com preguiça e indolência, como se tivéssemos outros assuntos mais importantes do que este para tratar.
A respeito de cada problema que enfrentamos no mundo físico nós temos à nossa disposição inúmeros remédios, todos muito eficientes, porém, o verdadeiro problema reside na falta de vontade para colocá-los em prática, pois todos estes representam o domínio da própria natureza e isto não é algo que possa ser atingido de forma automática, como efeito do toque de uma varinha de condão. Tudo exige disciplina de nossa parte, exige esforço e constância, e principalmente exige uma boa vontade, uma vontade firme que não se apavore quando os primeiros demônios aparecerem, ou que não se deixe seduzir por todas as ilusões que, irremediavelmente, aparecerão no caminho de quem começa a fazer com que sua luz espiritual, aquela que garante a participação nos eventos cósmicos, começa a se irradiar do centro do coração em direção ao mundo, tornando sua presença uma influência marcante.
Seres humanos, paremos de demonizar a prática dos negócios e a política também, pois a intensa concentração da mente no mundo dos negócios é um exemplo de meditação, de consagração a um objetivo de forma permanente. Apesar de ter se demonizado esta situação desenhando-a como um desperdiço de energia mental, no fundo é um exemplo de dedicação ao processo organizacional que o Plano Cósmico requer para continuar se processando da melhor maneira.
Porém, antes de começar a celebrar como se tudo estivesse correto no mundo materialista, há de se observar que, por enquanto, tudo está bem na sua forma, mas carente de essência, e este detalhe acaba produzindo resultados opostos aos esperados.
Busca-se prosperidade, mas acaba se encontrando a miséria. Falta o ideal que vivifique o trabalho executivo das organizações. Por isso, a oportunidade atual é fantástica, porque nós colocamos em marcha muita coisa e só falta vivificar o mundo com espírito, permitindo que o mundo que inventamos aceite o sopro vital que se encontra disponível, para que a matéria se coloque ao serviço de um ideal superior.
Este é um processo que está em andamento individual e coletivamente, da mesma forma com que temos de colocar nossas personalidades físicas à disposição de nosso Eu superior, nós também teremos de colocar à disposição do espírito as instituições mundanas.
A oportunidade disponível é a de dar o próximo passo, melhorar consagrando o intenso esforço que governos e corporações concentram no mundo dos negócios a um ideal superior.
Hoje em dia as estruturas estão corretas, do ponto de vista formal, pois foram produzidas por um novo tipo de meditação, diferente da contemplativa, mas não por isso menos eficiente, que é a concentração da mente na organização de negócios e comércio. Porém, esta estrutura carece de alma, falta alma ao negócio, e o próximo passo disponível é que os humanos de negócios e dos governos recuperem o ideal que proveja com sentido a tudo que já fazem e sabem fazer.
Este é o sopro vital que falta, mas que se encontra disponível, é o próximo passo. É fácil dar este próximo passo? Nada é fácil, muito menos fazer com que o dinheiro sirva a um propósito maior do que meramente acumulá-lo. Porém, há seres humanos de boa vontade espalhados em governos e corporações do mundo inteiro, preparados para fazer esta transmutação de ideais, preparados para devolver a matéria aos seus verdadeiros donos, pois intuem que só assim a verdadeira riqueza acontecerá entre o céu e a terra, já que, inclusive, eles e elas pastaram o suficiente para perceberem que aquela velha frase, aquele chavão *dinheiro não compra felicidade* era muito mais realista do que se imaginava. Dinheiro e felicidade só se conjugam na mesma medida em que se consagrar o dinheiro a um ideal elevado, e por isso este dinheiro seja distribuído em vez de simplesmente acumulado.
Seres humanos, todos sabemos intimamente que isto é real, que esta verdade precisa ser colocada em marcha, manifesta da melhor forma possível, mas ainda não nos atrevemos a isto, pois nos convencemos de ser impossível deter a voragem do mundo, já que este vai passar por cima de nossas vidas se nos atrevermos a contrariá-lo.
A este respeito, seres humanos, é importante perceber que nós não devemos buscar a oportunidade de dar esta virada longe do lugar em que nos encontramos, pois esta se encontra disponível onde estamos, na família que constituímos e na vida cotidiana que levamos. Isto vale para todas as pessoas, porém, só as de boa vontade, que estão prestes a transfigurar esta boa vontade em vontade para o bem, terão olhos lúcidos o suficiente para percebê-la, e por isso aproveitá-la também.
A oportunidade será encontrada na atenção dada aos deveres, no esforço empreendido para superar as dificuldades e, principalmente, na íntima aderência ao que é sagrado, pois sem este detalhe nada demais acontecerá com ninguém, e nenhuma oportunidade se revelará. Tudo está certo em sua forma, só falta o espírito fertilizar a forma. Recuperar o sagrado é o passo seguinte, trazer o sagrado de volta para a família, de volta para a vida cotidiana, para o espaço de trabalho, para tudo que parecia estar exilado da participação nos eventos cósmicos. Aumentem o espaço e tempo sagrado em suas vidas particulares, dentro de suas casas e em todos os relacionamentos de que participarem, percam o pudor de falar abertamente do espírito!
Enquanto isso, sejamos compassivos e compreensivos, pois é natural que, de acordo com os acontecimentos atuais, vejamos os humanos de negócios quebrando a cabeça, já que estão convencidos de que fizeram tudo certo, mas percebem que deu tudo errado. O certo que fizeram foi ter aproveitado a onda cósmica organizacional, consagrando suas mentes e corações ao trabalho executivo de programar com o maior detalhe possível todos os passos que estruturariam a prosperidade material. Porém, faltou alma ao negócio, os motivos de tão intenso esforço não foram puros o suficiente, pois apesar de que no início de tudo o humano vislumbrou que teria de compartilhar e distribuir os recursos amealhados, na hora de dar este passo falhou, e continuou açambarcando em vez de distribuir. Faltou espírito, faltou alma ao negócio, mas esta oportunidade se torna disponível, agora, mais do que nunca, e só isto importa.
As grandes organizações de negócios, o mundo do comércio e das finanças, assim como também as comunidades civilizadas, têm ao seu dispor a oportunidade de recuperar a alma que foi exilada no percurso do caminho, já que no início lá estava ela, bela e radiante, na forma do ideal de distribuição de recursos que deu o impulso vital a todos os negócios, governos e até à própria democracia. Porém, os humanos, por pura tolice, começaram a se convencer de que os recursos amealhados ainda não eram suficientes para ser distribuídos, e assim a alma foi sendo exilada até ser literalmente esquecida. Porém, a alma não esqueceu o processo, e agora retorna, e em seu estandarte vem Shiva, o destruidor de limitações, para que tudo volte ao plano original.
Seres humanos, tenham certeza de que destruiremos tudo que limita o surgimento da verdadeira riqueza, destruiremos tudo que for obstáculo para a evolução, mas teremos de ter sumo cuidado para não nos comprazer com a destruição, pois desta forma cometeríamos o mesmo erro de todos nossos antepassados e perderíamos de vista o sopro vital que anima este momento.
Destruiremos em nome da visão que temos de uma realidade mais pura, sagrada e próspera para a maior quantidade possível de pessoas. Este é o destino, que atingiu seu momentum e não pode mais ser detido. Hora de escolher de que lado você vai querer ficar nesta luta, do lado do passado ou do lado do eterno agora, que é o espírito.
Hora de decidir se você vai dar o próximo passo.
TERRA: NOSSA ÚNICA CASA
por Anna Frota
Não sei mesmo quem deu o seu nome. Seja lá quem for, água deveria ser seu nome. Mas a Terra tem muitos significados que justificam este nome; no livro sagrado chinês, o I Ching, o simbolo o partejar da vida é Kun. É a representação da energia que dá forma à vida, sustenta e alimenta todos os seres.
Gaia, outro nome usado para designar nosso planeta, usado pelos antigos gregos para referir-se à deusa Terra, foi usado por James Lovelock, pesquisador britânico, que na década de 70 apresentou sua hipótese de Gaia.
Segundo ela, a Terra é um sistema vivo, dispondo de mecanismo de auto-regulação, ou seja, homeostase: mecanismo gerado e regulado pelos processos vitais, que propiciam a manutenção das condições ambientais necessárias à Vida.
Desta maneira, nós humanos somos parte integrante de um todo, onde tudo esta interligado.
Poetas, cantores também versam em prosa sobre nossa única casa. Caetano em sua viajem canta seu amor ao insustentável planeta azul. Beto Guedes já disse há muitos anos atrás que estavam maltratando nossa Nave Mãe, por dinheiro.E Guilherme Arantes – rapaz esperto, nomeou a Terra como o planeta água (setenta por cento da terra é coberta por água). Mas se quem te nomeou talvez não soube deste detalhe, intuitivamente sabia sobre a sua alma.
Queria eu também te escrever uma carta de amor.
Porque acordo todos os dias e o sol continua brilhar sobre um céu incrivelmente azul. Por que, depois que compreendi a perfeição de seus ciclos, a sabedoria por de trás de todas as formas de vida, suas conexões, interligações e interdependências,eu me vi assim: apaixonada.
Um dia minha filha me disse que se emocionava com esse amor. Não sei ainda os que não podem enxergar o que vejo claramente: nós pulsamos com Gaia.
Rezo todas as noites para que o profeta Raul Seixas não esteja certo no trecho de sua música que diz: “ a Terra como um cachorro eu vejo, se ela não agüenta mais as “pulgas” se livra delas num sacolejo”.
Espero sinceramente o despertar amoroso da raça humana. Afinal até onde sei esta é ainda, nossa única casa.
Venha exercer sua cidadaia planetária. Cadastre-se em nosso site!